SRE para Bancos de Dados: Guia Prático de Implementação (DBRE)

dezembro 4, 2025 | por dbsnoop

Implementando SRE para Bancos de Dados: Um Plano de Ação

SRE como evolução do nexo entre equipes de Dados e Desenvolvimento

O modelo vigente em operações que contavam com infraestruturas on-premise foi o seguinte: o Administrador de Banco de Dados (DBA) operava como o guardião da infra de banco, um intermediário único entre as equipes da operação, de forma que, quando o desenvolvimento passava os requisitos, cabia ao DBA provisionar e investigar tickets abertos quando algo quebrava em seu ambiente. Entretanto, na atual conjuntura de Cloud, microsserviços e entregas contínuas, o modelo, que antigamente foi a regra, mostra-se ineficiente e um verdadeiro gargalo para a agilidade da operação.

Quando o DBA atrasa no provisionamento e o diagnóstico demora a ser feito, e esses fatores comuns são somados a fricção entre as equipes, temos a combinação perfeita para gerar barreiras contínuas à inovação. Nesse contexto, a solução que provavelmente veio primeiro a sua mente foi aumentar a quantidade de DBAs atuantes na empresa, assim as demandas seriam atendidas mais rápido e os resultados mais eficientes, contudo uma mudança de abordagem estrutural mostra-se mais eficiente no longo prazo – afinal não é viável ficar aumentando a equipe como se mais força bruta fosse resolver todos os problemas do mundo.

Assim, é neste ponto que os princípios de Engenharia de Confiabilidade de Site (SRE), os quais foram popularizados pelo Google, oferecem um caminho factível para maior eficiência de sua operação nos dias atuais – a era da nuvem e da IA. Em primeira análise, a filosofia SRE lida com os problemas de operaçães como problemas de engenharia de software, a serem resolvidos com automação, dados e código. Portanto, a implementação dos princípios de SRE na camada de dados da operação cria uma nova disciplina: a Engenharia de Confiabilidade de Dados (DBRE).

Este guia não é apenas conceitual; é um plano de ação prático para que Tech Leads e gestores possam iniciar a jornada de transformação de sua gestão de dados, rumo a uma operação escalável e com alta confiabilidade.

Passo 1: do Administrador ao Engenheiro

No primeiro momento, antes de implementar qualquer ferramenta de monitoramento ou observabilidade – como o prórpio dbsnOOp -, o SRE no banco de dados exige uma alteração no modus operandi do DBA: é preciso mover a mentalidade da equipe de banco de “administradores” para “engenheiros”.

  • Transformando os intermediários para o Banco de Dados em Parceiros Integrados na operação como um todo: O DBRE não espera por tickets pois está integrado nas squads de desenvolvimento. Ele participa das reuniões de planejamento, revisa o código de acesso a dados e colabora na arquitetura de novas funcionalidades e atualizações da aplicação. A responsabilidade pela performance e confiabilidade do banco de dados se torna compartilhada entre desenvolvimento e operações.
  • Ter automatização de tarefas manuais como padrão operacional: O instinto do DBA costuma ser resolver problemas manualmente. A mentalidade do DBRE é: “Eu resolvi este problema manualmente uma vez, agora vou escrever um código ou uma automação para garantir que ninguém nunca mais precise resolvê-lo manualmente.” Cada incidente é uma oportunidade para melhorar o sistema, não apenas para consertá-lo. Dessa forma se obtém uma máquina mais azeitada em sua operação, com arestas mais aparadas. Os mínimos detalhes somam-se para formar um todo mais eficiente.
  • Decisões Orientadas por Dados em detrimento das Opiniões: Discussões sobre performance deixam de ser baseadas em “eu acho que esta query está lenta” e passam a ser baseadas em dados objetivos e diretos. Todas as decisões sobre priorização, deploys e otimização são guiadas por métricas claras e acordadas por todos: os SLOs.

O gestor tem a tarefa de comunicar a nova visão para a equipe e fornecer apoio e espaço para o desenvolvimento de novos frameworks que permitem a operação integrada e automatizada entre os setores.

Passo 2: Definição de Indicadores e Objetivos de Nível de Serviço (SLIs/SLOs)

Ademais, mostra-se fundamental a definição imediata de SLIs e SLOs, neles reside o core do SRE. É impossível gerenciar a confiabilidade objetivamente se não existem métricas a serem medidas e acompanhadas.

  • O Que é um SLI (Service Level Indicator)? Um SLI é uma medida quantitativa de um aspecto do seu serviço – uma métrica bruta. Para um banco de dados, os SLIs não devem ser métricas de infraestrutura (como CPU), mas sim métricas que reflitam a experiência do usuário (ou do serviço consumidor).
    • Exemplos de SLIs de Latência: A latência do 95º ou 99º percentil (p95/p99) da query de login; a duração da transação de checkout.
    • Exemplos de SLIs de Disponibilidade: A porcentagem de sucesso das tentativas de conexão ao endpoint do banco de dados.
    • Exemplos de SLIs de Frescor de Dados: O atraso de replicação (replication lag) de uma réplica de leitura em segundos.
  • O Que é um SLO (Service Level Objective)? Um SLO é a meta que você define para um SLI. É uma declaração de confiabilidade acordada com seus stakeholders (sejam eles clientes internos ou externos).
    • Exemplos de SLOs:
      • “99.9% das queries de login devem executar em menos de 200ms ao longo de um período de 28 dias.”
      • “O endpoint do banco de dados de produção deve ter uma taxa de sucesso de conexão de 99.99%.”
      • “O atraso de replicação para a réplica de relatórios não deve exceder 60 segundos por mais de 5 minutos consecutivos.”

Plano de Ação para Começar:

  1. Escolha uma Jornada Crítica do Usuário: Não tente definir SLOs para tudo de uma vez. Começar gradualmente é o ideal: uma ou duas transações de negócio que são absolutamente críticas, como login, busca principal ou processamento de pagamento.
  2. Identifique as Queries Subjacentes: Use uma plataforma de observabilidade como o dbsnOOp para identificar as queries exatas que compõem essa jornada do usuário.
  3. Meça o Baseline: Deixe o dbsnOOp medir a performance atual dessas queries por um período (ex: duas semanas). Qual é a latência p99 real hoje?
  4. Defina o Primeiro SLO: Com base no baseline e nas expectativas do negócio, defina seu primeiro SLO. Ele deve ser realista, mas aspiracional – o que significa ser factível, mas ser um objetivo ideal e almejado, uma montanha a ser escalada pela equipe.

Passo 3: Criação do Orçamento de Erro (Error Budget)

Nessa lógica, com a criação de um Orçamento de Erro, define-se uma margem matemática para inconsistências na operação que ainda permitem a entrega do SLO. Portanto, é uma poderosa ferramenta para a tomada de decisões no Framework SRE.

  • O Que é um Orçamento de Erro? É a quantidade de “não-confiabilidade” que você está disposto a tolerar durante um período. Se o seu SLO de latência é de 99.9%, seu orçamento de erro é de 0.1%.
  • Como Funciona: Em um mês de 30 dias (aproximadamente 43.200 minutos), um SLO de 99.9% lhe dá um orçamento de erro de 43.2 minutos. Isso significa que suas queries críticas podem exceder o limiar de latência por um total de 43.2 minutos naquele mês. Cada minuto em que o serviço está fora do SLO “queima” o orçamento.
  • Por Que é Essencial? O orçamento de erro transforma a confiabilidade em uma métrica quantificável que guia as prioridades da engenharia de forma objetiva, eliminando debates baseados em opinião.

Se o orçamento de erro está quase cheio: A equipe tem uma margem clara para inovar e lançar novas features. O risco de um pequeno incidente é aceitável de forma a manter o SLO em pé.

Se o orçamento de erro está quase esgotado: A prioridade da equipe muda automaticamente e de forma integrada entre os setores. Todas as novas features são congeladas e o foco se volta 100% para projetos de estabilização e confiabilidade até que o serviço volte a operar dentro do SLO e o orçamento de erro comece a se recuperar.

Como gestor, o orçamento de erro é sua métrica e ferramenta para acabar com a guerra entre “velocidade” e “estabilidade”. Ambos se tornam parte da mesma equação, governada por dados.

Passo 4: Identificação e Automação do “Toil”

Na definição do framework de SRE do próprio Google, “toil” é todo trabalho operacional repetitivo, manual e que poderia ser automatizado, geralmente sem valor duradouro quando efetuado manualmente. Uma parcela significativa da rotina de um DBA tradicional é gasta lidando com toil, então é papel do DBRE eliminá-lo tanto quanto for possível.

  • Como Identificar o “Toil”: Faça uma auditoria com sua equipe. Pergunte:
    • “Quais tarefas manuais vocês realizaram esta semana que poderiam ser roteirizadas?”
    • “Quantas vezes fomos interrompidos para responder a um alerta de CPU que não era um problema real?”
    • “Quanto tempo foi gasto em deploys manuais de schema?”
    • “Qual é o processo para provisionar um novo banco de dados para um ambiente de staging?”
  • Exemplos Comuns de “Toil” de Banco de Dados:
    • Diagnosticar manualmente por que uma query está lenta.
    • Aplicar scripts de migração de schema manualmente.
    • Gerenciar permissões e grants de usuários.
    • Executar failovers manuais.
    • Responder a alertas de “tabela quase cheia”.
  • Plano de Ação para Automação:
    1. Priorize pelo Impacto: Comece automatizando a tarefa que consome mais tempo ou que causa mais erros.
    2. Use as Ferramentas Certas:
      • Infraestrutura como Código (IaC): Use Terraform para provisionar e configurar instâncias de banco de dados.
      • Migrações de Schema: Use Flyway ou Liquibase integrados ao seu pipeline de CI/CD.
      • Diagnóstico: Use uma plataforma de observabilidade como a dbsnOOp para automatizar o diagnóstico de performance.

Para automatizar esse processo de análise de métricas, ferramentas de observabilidade como o dbsnOOp são essenciais. Saiba mais clicando aqui.

Passo 5: Adote a ferramenta de observabilidade correta

O framework de SRE depende da visibilidade profunda e contextualizada do workload de seu banco de dados. Nenhum dos passos anteriores pode ser aplicado se sua operação vive no escuro. Portanto, faça uso da ferramenta correta para se municiar de toda informação necessária na tomada de decisão – seja data-driven, lembra-se? Nada de opiniões!

  • Observabilidade para SLOs: O tradicional monitoramento que apenas registra queries lentas pode não fornecer dados na granularidade necessária para medir um SLI de latência p99. O dbsnOOp, somando monitoramento, observabilidade e machine learning é capaz de capturar 100% do seu workload, fornecenedo a telemetria precisa para saber se está dentro ou fora do seu SLO. De simples métricas de CPU, disco ou memória até um healthcheck completo com sugestões personalizadas para o seu ambiente e tecnologia de banco – relacional ou não.
  • Observabilidade para Orçamentos de Erro: Pode ser desesperador ver o Orçamento de Erro ser queimado ao longo do mês sem saber grande parte das causas e ficar sem margem para trabalhar inovações – viver de apagar incêndios e troubleshooting de performance. Nesse contexto, o dbsnOOp te aponta exatamente o porquê de seus problemas no banco: pode apontar para a query específica, usuário ou serviço que está causando a violação do SLO, bem como indicar a maneira ótima de resolver os problemas.
    • Sem uma capacidade de diagnóstico e troubleshooting rápidos, a equipe permanece cega e com o orçamento de erro estourado, sempre furando o SLO mensalmente, mesmo que por pouco.
  • Observabilidade para Eliminar o “Toil”: Um grandessíssimo “Toil” para o DBA, em minha experiência, é o diagnóstico reativo da performance: rodar um diagnóstico demorado para descobrir o problema da vez que está causando uma lentidão avassaladora na aplicação. O dbsnOOp te ajuda a automatizar essa tarefa ao indicar a query problemática e seu plano de execução, bem como a recomendação de otimização em minutos, tudo através do machine learning que se adapta ao seu ambiente.

1. DB Time (ou Database Load)

Se você pudesse escolher apenas uma métrica para definir a carga total em seu banco de dados, seria esta. DB Time, também conhecida como “Average Active Sessions”, é a medida mais precisa da atividade total do seu banco de dados.

  • O que é? DB Time é a soma acumulada de tempo que todas as sessões do banco de dados passaram ativas (seja trabalhando na CPU ou esperando por um recurso como disco, rede ou um lock) durante um determinado intervalo. Se, em um intervalo de 60 segundos, o DB Time total foi de 120 segundos, isso significa que, em média, duas sessões estavam ativas a cada segundo.
  • Por que importa? Esta métrica é o seu “indicador de carga” universal. A capacidade máxima do seu banco de dados é ditada pelo número de núcleos de CPU. Um servidor com 8 vCPUs pode, no máximo, suportar 8 segundos de trabalho de CPU por segundo de tempo real. Se o seu DB Time consistentemente excede o número de vCPUs, significa que as sessões estão sendo enfileiradas e esperando por tempo de CPU, resultando em um aumento direto da latência para todas as queries. Ele captura tanto o trabalho produtivo (CPU) quanto o improdutivo (espera), fornecendo uma visão holística da carga.
  • Como supera as métricas tradicionais? A CPUUtilization apenas informa o quão ocupado está o processador. Ela não diz nada sobre as sessões que estão paradas, esperando por I/O ou por um lock. Um sistema pode ter uma CPU baixa (ex: 20%), mas um DB Time altíssimo, indicando um problema severo de contenção de locks que está paralisando a aplicação. O DB Time captura ambos os cenários. Uma plataforma como a dbsnOOp centraliza o DB Time, correlacionando-o com a CPU e dividindo-o pelas queries que mais contribuem para ele, permitindo que um SRE veja não apenas que a carga está alta, mas qual query é a responsável por essa carga.

2. Wait Events (ou Wait Statistics)

Se o DB Time te diz quanto o banco de dados está ocupado, os Wait Events te dizem com o quê ele está ocupado. Esta é a métrica de diagnóstico mais poderosa para entender a natureza de um gargalo de performance.

  • O que são? Quando uma sessão de banco de dados não pode prosseguir porque precisa de um recurso que não está disponível no momento (um bloco de dados do disco, um lock mantido por outra sessão, etc.), ela entra em um estado de espera e registra um “Wait Event”. Os bancos de dados modernos rastreiam centenas de tipos de eventos de espera.
  • Por que importam? A análise agregada dos eventos de espera revela a personalidade do seu gargalo.
    • Esperas de I/O (ex: io:data_file_read, pageiolatch_sh): Se estes estão no topo, seu sistema está “preso ao disco”. As queries estão exigindo mais dados do que pode caber na memória (RAM), forçando leituras lentas do armazenamento. A causa raiz pode ser um índice ausente, queries ineficientes ou memória insuficiente.
    • Esperas de Lock (ex: LCK_M_X, enq: TX – row lock contention): Se estes dominam, seu problema é de contenção na aplicação. Múltiplas transações estão competindo pelas mesmas linhas, causando bloqueios e paralisando o processamento. A causa pode ser queries de UPDATE lentas ou um design de transação problemático.
    • Esperas de CPU (ex: CPU ou SOS_SCHEDULER_YIELD): Se a principal “espera” é por tempo de CPU, significa que seu gargalo é computacional. As queries são complexas e exigem muito processamento. A solução é a otimização da query ou, em último caso, um upgrade de hardware.
  • Como supera as métricas tradicionais? Um SRE olhando para um dashboard de I/O pode ver um pico de ReadIOPS, mas não tem ideia se esse pico é saudável (muitas leituras pequenas e eficientes) ou problemático (uma única query fazendo um scan massivo). A análise de Wait Events fornece esse contexto. A dbsnOOp não apenas mostra os principais eventos de espera, mas os conecta diretamente às queries que os estão causando, permitindo que o SRE veja que 90% das esperas de I/O estão sendo geradas pela query X, fornecendo um caminho direto para a resolução.

3. Buffer Cache Hit Ratio

Esta métrica mede a eficiência com que o seu banco de dados está utilizando seu recurso mais precioso e rápido: a memória RAM.

  • O que é? O Buffer Cache (ou Buffer Pool) é uma área da RAM onde o banco de dados armazena as páginas de dados que foram lidas recentemente do disco. Quando uma query precisa de um dado, ela primeiro procura no Buffer Cache. Se o dado está lá (um “cache hit”), a operação é extremamente rápida. Se não está (um “cache miss”), o banco precisa fazer uma leitura física lenta do disco. A Buffer Cache Hit Ratio é a porcentagem de vezes que os dados foram encontrados na memória versus o total de requisições.
  • Por que importa? Uma alta taxa de acerto no cache (geralmente acima de 99% para sistemas OLTP) é um sinal de um sistema saudável e performático. Uma taxa de acerto consistentemente baixa ou em queda é um alerta vermelho. Significa que o “working set” (o conjunto de dados ativamente usado pela sua aplicação) não cabe na memória alocada para o banco. Isso pode ser causado por:
    1. Memória Insuficiente: A instância é simplesmente pequena demais para a carga de trabalho.
    2. Queries Ineficientes: Full Table Scans massivos podem “poluir” o cache, lendo milhões de linhas irrelevantes e forçando a saída de dados úteis e “quentes”, prejudicando a performance de todas as outras queries.
  • Como supera as métricas tradicionais? A métrica FreeableMemory apenas informa quanta RAM o sistema operacional pensa que está livre. Ela não diz nada sobre a qualidade do uso da memória pelo banco de dados. Um servidor pode ter pouca memória livre (o que é bom, pois o banco deve usar o máximo de RAM possível para o cache), mas uma alta taxa de acerto no cache. Inversamente, pode ter memória livre, mas uma baixa taxa de acerto. A Buffer Cache Hit Ratio é a verdadeira medida da eficiência da memória. A dbsnOOp monitora essa métrica ao longo do tempo e a correlaciona com as queries, permitindo que o SRE determine se uma queda na taxa de acerto foi causada por uma mudança no padrão de workload ou pela introdução de uma nova query ineficiente.

4. Index Usage (Scans vs. Seeks) e Unused Indexes

Esta não é uma única métrica, mas uma categoria de análise focada na saúde da sua estratégia de indexação, o pilar da performance de leitura.

  • O que é? Os bancos de dados mantêm estatísticas sobre como os índices estão sendo usados. As duas operações mais importantes são:
    • Index Seek: Uma operação altamente eficiente, onde o banco de dados usa a estrutura de árvore do índice para navegar diretamente para as linhas exatas de que precisa.
    • Index Scan (ou Full Index Scan): Uma operação menos eficiente, onde o banco lê o índice inteiro do início ao fim. É mais rápido que um Table Scan, mas ainda pode ser um sinal de uma query mal formulada ou de um índice inadequado.
      Por outro lado, o banco também rastreia quais índices nunca são usados.
  • Por que importa?
    • Scans vs. Seeks: Um alto número de Index Scans em relação a Seeks em um índice crítico indica um problema. A query pode estar usando uma função na coluna indexada ou um LIKE ‘%texto’, o que impede o seek. Otimizar a query para permitir um seek pode resultar em ganhos de performance de ordens de magnitude.
    • Unused Indexes: Este é um problema silencioso, mas caro. Cada índice em uma tabela adiciona uma sobrecarga a todas as operações de escrita (INSERT, UPDATE, DELETE). Um índice que nunca é usado para leituras é puro “peso morto”: ele não oferece nenhum benefício de performance, mas desacelera todas as suas escritas e consome espaço em disco.
  • Como supera as métricas tradicionais? Não há uma métrica de infraestrutura tradicional que forneça essa visão. Esta é uma análise puramente interna do banco de dados. Um SRE pode passar anos sem perceber que 50% dos índices em uma tabela crítica são inúteis e estão ativamente prejudicando a performance de INSERTs. Ferramentas como a dbsnOOp automatizam essa análise. Elas não apenas identificam as queries que estão causando scans ineficientes, mas também fornecem relatórios claros dos índices não utilizados, permitindo uma “limpeza” segura que pode melhorar drasticamente a performance de escrita.

5. Transaction Log Generation / Throughput

Esta métrica é frequentemente negligenciada em ambientes que não são de alta transação, mas é um indicador vital da “taxa de mudança” dos seus dados e um prenúncio de problemas.

  • O que é? O Transaction Log (ou Write-Ahead Log – WAL) é um componente crítico onde o banco de dados registra todas as modificações de dados antes de serem escritas nos arquivos de dados principais. A taxa de geração de log mede quantos megabytes ou gigabytes de log estão sendo escritos por segundo ou minuto.
  • Por que importa?
    1. Indicador de Carga de Escrita: É a medida mais precisa da intensidade do seu workload de escrita.
    2. Detecção de Operações Ineficientes: Uma operação de UPDATE ou DELETE em lote que é escrita de forma ineficiente (ex: linha por linha em um loop, em vez de uma única instrução baseada em conjunto) pode causar uma tempestade de geração de log. Um pico repentino e inesperado nesta métrica é um sinal claro de que um novo processo ou uma query ineficiente começou a modificar dados em massa.
    3. Impacto na Replicação e Alta Disponibilidade: Em sistemas com réplicas de leitura ou configurações de alta disponibilidade, o log de transações é o que é enviado para as réplicas. Uma taxa de geração de log excessiva pode saturar a rede e causar “replication lag”, onde as réplicas ficam perigosamente desatualizadas em relação ao primário.
  • Como supera as métricas tradicionais? A métrica WriteIOPS no disco mede as operações de baixo nível, mas não diferencia entre as escritas eficientes do log e outras escritas. A taxa de geração de log é específica para a mudança de dados. Ela fornece um insight direto sobre o impacto das suas operações de escrita. A dbsnOOp monitora a taxa de geração de log e, quando um pico ocorre, consegue correlacioná-lo com as queries de modificação (INSERT, UPDATE, DELETE) que estavam ativas naquele momento, apontando para o SRE exatamente qual processo causou a “tempestade de log”.

Uma Jornada de Melhoria Contínua

A implementação do framework de SRE formulado nos escritórios de uma das maiores Big Techs do mundo em empresas de diversas escalas, obviamente, não é um processo fácil e formulaico, de maneira a se seguir uma receita de bolo que dá resultados em todas as empresas. Dessa forma, mostra-se fundamental o trabalho contínuo rumo a um SRE otimizado que finalmente evolui para um DBRE e garante a conformidade das suas operações na conjuntura atual – a era da nuvem!

Ao seguir este plano de ação, mudando a cultura, definindo SLOs baseados em dados, usando orçamentos de erro para guiar as prioridades e automatizando implacavelmente o “toil”, os líderes de engenharia podem transformar sua equipe de dados. Eles deixam de ser um gargalo reativo e se tornam um parceiro estratégico e proativo, que usa a engenharia para construir sistemas de dados que não são apenas estáveis, mas também rápidos, eficientes e capazes de escalar na velocidade do negócio.

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