Oracle Performance Tuning: Da Análise de Internals à Observabilidade com IA

setembro 12, 2025 | por dbsnoop

Um guia técnico aprofundado para DBAs, SREs e Arquitetos de Dados.
Como Configurar Oracle com IA
Monitoramento  Observabilidade Bancos de dados na nuvem

Um Administrador de Banco de Dados (DBA) Oracle Sênior tem como rotina uma série de investigações de troubleshooting de alta pressão. O dia raramente começa com tranquilidade: começa com a análise de um relatório AWR (Automatic Workload Repository) de 50 páginas, uma imersão nos dados brutos do ASH (Active Session History) ou uma navegação tensa pelas telas do Oracle Enterprise Manager enquanto o telefone não para de tocar – ou o chat apitando, para termos mais atuais.

A performance do Oracle Database não é uma métrica dependente de elementos estáticos, infelizmente. Pelo contrário, tornam-se fundamentais os ajustes finos constantes: uma caça incessante por eventos de espera (wait events) crípticos como gc buffer busy acquire ou log file sync, e uma batalha constante contra o Otimizador de Consultas que decidiu mudar um plano de execução na pior hora possível.

A expertise de um profissional Oracle é medida por sua capacidade de interpretar os dados densos e transformá-los em ação. No entanto, o problema fundamental dessa abordagem tradicional é que ela é intrinsecamente reativa: você analisa o AWR depois que a CPU explodiu ou verifica o ASH depois que a aplicação travou.

Este artigo contém um guia completo de performance do Oracle. Vamos dissecar a arquitetura de memória avançada (Keep/Recycle Pools), a metodologia de tuning baseada em tempo (Wait Interface), a complexidade do Oracle Grid/RAC e, finalmente, como a Inteligência Artificial (IA) e a plataforma dbsnOOp estão transformando a gestão de performance de uma arte manual e reativa para uma ciência preditiva e automatizada.

1. Arquitetura de Memória Avançada

A gestão de memória no Oracle Database é um assunto frequentemente mal compreendido. Muitos DBAs confiam cegamente no AMM (Automatic Memory Management) ou ASMM (Automatic Shared Memory Management), ao definir um MEMORY_TARGET e esperar o melhor. Embora úteis, esses mecanismos tratam a memória como um bloco unitário, o que pode ser desastroso para cargas de trabalho mistas (OLTP + Batch).

LRU e a Poluição do Buffer Cache

O componente mais crítico da SGA é o Buffer Cache. Por padrão, ele opera com um algoritmo LRU (Least Recently Used). A ideia é simples: mantenha os dados mais acessados na RAM e descarte os antigos.

Contudo, na prática, encontramos um problema: uma única consulta de relatório ou backup que faz um Full Table Scan em uma tabela de 500GB pode ler milhares de blocos, marcá-los como “recentemente usados” e expulsar da memória dezenas de tabelas pequenas de lookup (ex: tabela de Cidades, Status, Configurações) que são vitais para a performance transacional. O resultado é um aumento súbito de I/O físico (db file sequential read) para operações que deveriam ser instantâneas.

Solução: Segregação de Memória (Keep, Recycle e Default)

A otimização de verdade começa quando você para de tratar o Buffer Cache como um pool único. O Oracle permite subdividir a cache em três áreas distintas para proteger seus dados críticos.

  1. DEFAULT Pool: Compartimento no qual vivem os dados por padrão. Sujeito ao comportamento padrão do LRU.
  2. KEEP Pool: A “Área VIP”. Projetada para objetos pequenos e frequentemente acessados que devem sempre permanecer na RAM, imunes à poluição de scans massivos.
  3. RECYCLE Pool: A “Fila Expressa de Saída”. Projetada para tabelas gigantes lidas esporadicamente. O objetivo é descartar esses blocos da memória imediatamente após o uso, impedindo que eles roubem espaço de dados úteis.

Implementação Prática

Use o código abaixo para encontrar objetos pequenos com alta frequência de acessos lógicos (“buffer touches”).

-- Identifica candidatos para o KEEP POOL
-- Critério: Objetos < 100MB com mais de 10.000 toques no buffer
SELECT
    o.owner,
    o.object_name,
    o.object_type,
    COUNT(bh.objd) AS buffer_touches,
    ROUND(SUM(s.bytes) / 1024 / 1024, 2) AS size_mb
FROM v$bh bh
JOIN dba_objects o ON bh.objd = o.data_object_id
JOIN dba_segments s ON o.owner = s.owner AND o.object_name = s.segment_name
WHERE o.owner NOT IN ('SYS', 'SYSTEM')
  AND s.bytes < (100 * 1024 * 1024) -- Filtro de tamanho
GROUP BY o.owner, o.object_name, o.object_type
HAVING COUNT(bh.objd) > 10000 -- Filtro de frequência
ORDER BY buffer_touches DESC;

Uma vez identificados, configure a memória e altere os objetos. Lembre-se: a memória alocada para KEEP/RECYCLE é subtraída do DEFAULT.

-- 1. Configure o tamanho dos pools (Requer privilégio ALTER SYSTEM)
ALTER SYSTEM SET DB_KEEP_CACHE_SIZE = 512M SCOPE = BOTH;
ALTER SYSTEM SET DB_RECYCLE_CACHE_SIZE = 2G SCOPE = BOTH;

-- 2. Mova os objetos (Sem downtime, mas limpa o cache do objeto)
-- Tabela crítica para o KEEP
ALTER TABLE app_core.status_codes STORAGE (BUFFER_POOL KEEP);

-- Tabela de Logs gigantesca para o RECYCLE
ALTER TABLE app_logs.audit_trail STORAGE (BUFFER_POOL RECYCLE);

2. Tuning Baseado em Tempo (Oracle Wait Interface)

Por décadas, DBAs almejaram o Buffer Cache Hit Ratio de 99%. Contudo, essa métrica não deve dominar sua atenção, pois você pode ter 99% de hit ratio e um banco de dados travado. Isso se deve ao fato de o Buffer Cache Hit Ratio ignorar o tempo de serviço.

A equação mais adequada na performance do Oracle é a seguinte:

Quando uma query está lenta, ou queimando CPU (cálculo, parse, lógica), ou está parada esperando algo (Disco, Rede, Lock), a Oracle Wait Interface (OWI) é o mecanismo que instrumenta essas esperas.

Principais Wait Events

Um especialista deve olhar para os eventos de espera predominantes no V$SESSION_WAIT ou V$SYSTEM_EVENT.

I/O de Leitura (O Gargalo de Disco)

  • db file sequential read: Leitura de bloco único. Geralmente associada a Index Seeks.
    • Causa: Índices fragmentados, estatísticas desatualizadas ou, ironicamente, uso excessivo de índices em tabelas que deveriam ser varridas via Full Scan.
  • db file scattered read: Leitura de múltiplos blocos (Multiblock Read). Sinal clássico de Full Table Scan.
    • Causa: Falta de índices, predicados não sargable (ex: WHERE function(col) = val) ou tabelas pequenas onde o scan é legítimo.

Concorrência e Aplicação

  • enq: TX – row lock contention: Uma sessão quer atualizar uma linha já bloqueada por outra.
    • Diagnóstico: Não é problema de banco, é problema de aplicação. Transações longas, falta de commits ou lógica de negócio conflitante.
  • log file sync: A sessão comitou, mas está esperando o LGWR (Log Writer) gravar no disco.
    • Causa: Discos de Redo Log lentos ou “Commits excessivos” (fazer commit dentro de um loop em vez de em lote).

Diagnóstico via SQL

Para encontrar o que está matando o banco agora, esqueça o Enterprise Manager lento e vá direto à fonte:

-- Top Wait Events em tempo real (excluindo sessões ociosas)
SELECT
    n.name AS event_name,
    count(*) AS session_count,
    SUM(seconds_in_wait) AS total_seconds_waiting
FROM v$session_wait w
JOIN v$event_name n ON w.event_id = n.event_id
WHERE w.wait_class != 'Idle'
GROUP BY n.name
ORDER BY session_count DESC;

3. Oracle Grid e RAC

O Oracle Grid Infrastructure é a fundação que permite a computação distribuída. Ele é o “sistema operacional” por baixo do Oracle RAC (Real Application Clusters) e do ASM (Automatic Storage Management).

Em grandes corporações, o Grid é essencial para Alta Disponibilidade. Se um nó falha, o Grid move os serviços (VIPs) para outro nó sobrevivente. No entanto, o RAC introduz uma nova dimensão de latência: o Global Cache.

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Escalabilidade Linear

Adicionar nós a um RAC não garante performance linear. Os nós precisam trocar blocos de dados via Interconnect (Rede Privada) para manter a consistência do cache (Cache Fusion).

Isso gera eventos de espera específicos do RAC, como:

  • gc buffer busy acquire: Um nó quer um bloco que está sendo modificado em outro nó.
  • gc cr request: Pedido de leitura consistente através da rede.

Gerenciar o Oracle Grid exige monitorar não apenas o banco, mas a latência da rede privada, o voting disk e o OCR. A complexidade de diagnóstico triplica em ambientes RAC.

4. As Limitações Humanas

Até aqui, vimos ferramentas poderosas: Keep Pools, Wait Interface, Grid Control. O problema? Todas exigem intervenção manual e expertise profunda.

  • Você não pode reconfigurar o Keep Pool a cada hora conforme a carga muda.
  • Você não consegue correlacionar manualmente um pico de gc buffer busy com uma query específica em tempo real durante um incidente de madrugada.
  • O AWR é uma autópsia; ele te diz por que o paciente morreu, não como salvá-lo.

A gestão moderna exige Observabilidade Preditiva e é aqui que o dbsnOOp entra como um divisor de águas.

5. dbsnOOp: O DBA Virtual

 O dbsnOOp é uma plataforma de inteligência que atua como uma camada cognitiva sobre o seu Oracle Database.

Visão Unificada

O dbsnOOp centraliza a visão de suas instâncias monitoradas. A ferramenta utiliza algoritmos de Machine Learning para criar baselines dinâmicos e aprende que é normal a CPU subir às 02:00 (backup), mas se subir às 10:00, é uma anomalia que requer alerta, mesmo que não atinja o limiar crítico.

  • Previsão de Espaço (Capacity Planning): Em vez de alertar quando o Tablespace está 95% cheio, a IA analisa a derivada de crescimento.
    • Alerta dbsnOOp: “O Tablespace USERS vai estourar em 4 dias se a taxa de ingestão atual (2GB/hora) continuar. Recomendação: Adicionar datafile ou purgar dados antigos.”
  • Detecção de Regressão de SQL: O Oracle muda planos de execução (Plan Flip). A dbsnOOp detecta isso instantaneamente.
    • Alerta dbsnOOp: “A query crítica XPTO_123 mudou de plano. O custo de I/O subiu 400%. O plano anterior usava Índice; o novo faz Full Scan.”

Análise Preditiva e RCA (Root Cause Analysis)

Em vez de um alerta vago, a dbsnOOp correlaciona eventos.

  • Problema: Latência alta na API de Vendas.
  • Diagnóstico da IA: “A latência aumentou devido a um pico de espera enq: TX – row lock contention na tabela INVENTORY. A causa raiz é a sessão SID 123, Serial# 9876 (usuário JOB_STOCK) que está retendo um bloqueio exclusivo (TX Mode 6) há 45 segundos, bloqueando outras transações.”
  • Solução Sugerida: ALTER SYSTEM KILL SESSION ‘123,9876’ IMMEDIATE; e recomendação de revisão da query do Job.

Query Performance

A plataforma entende o contexto dos metadados da engine e traduz isso em uma análise profunda, permitindo que profissionais de diferentes níveis tomem decisões rápidas sem depender de comandos complexos de sistema.

Text-to-SQL

Permite escrever queries em linguagem natural e que são convertidas em queries executadas no sistema de sua escolha SQL. O resultado chega na forma de uma tabela na própria plataforma. Assim, o acesso a dados de diversas tecnologias não é limitado somente a especialistas.

Engenharia de Banco de Dados Otimizada para o Oracle Database

A complexidade do Oracle Grid, a volatilidade dos planos de execução e a exigência de disponibilidade 24/7 tornam a abordagem manual insustentável.

Adotar uma estratégia de Configuração com IA usando o dbsnOOp implica em armar o seu DBA com as informações que ele precisa. Ao automatizar a coleta, correlação e análise preliminar, a IA libera o engenheiro para focar em arquitetura e estratégia, enquanto a plataforma cuida da vigilância preditiva.

  • Pare de otimizar o Buffer Cache às cegas. Use dados de acesso para configurar Keep Pools.
  • Pare de olhar Hit Ratios. Use a Wait Interface para encontrar gargalos reais.
  • Pare de reagir a falhas. Use a IA para prever e prevenir incidentes.

Transforme seu Oracle de uma caixa preta imprevisível em um motor de alta precisão.

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